TEXTO: "Pausa" – Moacyr Scliar
9º ANO - Sala Heterogênea
ESTA SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM SERÁ DESENVOLVIDA COM OS OBJETIVOS DE:
· Estudar os traços do gênero conto.
· Conhecer as características do conto.
· Ampliar a capacidade leitora.
· Compreender e entender o texto.
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES:
· Ativar conhecimento de mundo
· Levantar hipóteses e fazer inferências
· Reconhecer na leitura os traços característicos do gênero conto
· Localizar informações implícitas no texto que levam à compreensão e ao entendimento
· Praticar a entonação durante a leitura
ESTRATÉGIAS: Aula interativa com a participação dialógica do aluno; leitura em voz alta realizada pelo professor, leitura em dupla.
RECURSOS: Texto; dicionário de língua portuguesa; lousa e giz.
ANTES DA LEITURA:
LEVANTAMENTO DO CONHECIMENTO PRÉVIO.
1 – Vocês já conhecem o autor do conto, Moacyr Scliar? Conhecem outros contos dele? (Contextualizar o autor: é um escritor contemporâneo, tinha outra profissão, médico, faleceu há pouco tempo, 2011).
2 – O que você entende por pausa?
3 – Em que tipo de situação você pode se deparar com esse termo (pausa)?
4- Contextualizar: em quais situações pode haver uma pausa? (refeições, trabalho, música, aula, relacionamento...).
DURANTE A LEITURA:
CHECAGEM DAS HIPÓTESES.
5 – Leitura em voz alta feita pelo professor.
6 – Leitura em dupla – aluno com mais e com menos dificuldade.
7 – Verificar vocabulário e fazer busca no dicionário.
8 – Qual foi o sentido da palavra pausa no texto? O sentido da pausa no texto se confirma com as hipóteses mencionadas anteriormente? O que você entendeu do texto? Em que (quais) momento (s) do texto encontramos uma pausa?
9 – Quais pistas encontradas no texto levam a imaginar como o personagem irá agir?
DEPOIS DA LEITURA:
APRECIAÇÃO E RÉPLICA.
Sistematização das impressões dos alunos sobre o texto lido registradas na lousa pelo professor.
BIBLIOGRAFIA:
ROJO, Roxane. Letramento e capacidades para a cidadania. São Paulo: CENP, 2004. Texto apresentado em Congresso realizado em maio de 2004.
MARINHO, América A.C. e SILVA, Zoraide I.F. Trabalho diversificado (Adaptado)
SCLIAR, Moacyr. Pausa. Disponível em: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070504161711AAZxr0 Acessado em 26/04/2013
CONTO
Pausa - Moacyr Scliar Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,bocejando:
— Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz.
— Temos muito trabalho no escritório — disse o marido, secamente
Ela olhou os sanduíches:
— Por que não vens almoçar?
— Já te disse; muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga. Samuel pegou o chapéu:
— Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas. Estacionou o carro numa travessa quieta. Como pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo.
Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:
- Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
- Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel.
- Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu a chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
- Aqui, meu bem! - uma gritou, e riu; um cacarejo curto.
Ofegante Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata.
Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho
, deitou-se e fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa. Perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; índio acabara de trespassá-lo com a lança Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente: ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.
- Já vai, seu Isidoro?
- Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
- Até domingo que vem seu Isidoro - disse o gerente.
- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.
- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa. Perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; índio acabara de trespassá-lo com a lança Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente: ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.
- Já vai, seu Isidoro?
- Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
- Até domingo que vem seu Isidoro - disse o gerente.
- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.
- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.
ROSIMEIRE DAMASCENO