segunda-feira, 17 de junho de 2013

Leitura e escrita: compartilhando experiências: Situação de aprendizagem:" Pausa", Moacyr Scliar

Leitura e escrita: compartilhando experiências: Situação de aprendizagem: "Pausa", Moacyr Scliar SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM
TEXTO: "Pausa" – Moacyr Scliar
9º ANO - Sala Heterogênea
ESTA SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM SERÁ DESENVOLVIDA COM OS OBJETIVOS DE:
·         Estudar os traços do gênero conto.
·         Conhecer as características do conto.
·         Ampliar a capacidade leitora.
·         Compreender e entender o texto.

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES:
·         Ativar conhecimento de mundo
·         Levantar hipóteses e fazer inferências
·         Reconhecer na leitura os traços característicos do gênero conto
·         Localizar informações implícitas no texto que levam à compreensão e ao entendimento
·         Praticar a entonação durante a leitura

ESTRATÉGIAS: Aula interativa com a participação dialógica do aluno; leitura em voz alta realizada pelo professor, leitura em dupla.
RECURSOS: Texto; dicionário de língua portuguesa; lousa e giz.

ANTES DA LEITURA:
LEVANTAMENTO DO CONHECIMENTO PRÉVIO.
1 – Vocês já conhecem o autor do conto, Moacyr Scliar? Conhecem outros contos dele? (Contextualizar o autor: é um escritor contemporâneo, tinha outra profissão, médico, faleceu há pouco tempo, 2011).







2 – O que você entende por pausa?
3 – Em que tipo de situação você pode se deparar com esse termo (pausa)?
4- Contextualizar: em quais situações pode haver uma pausa? (refeições, trabalho, música, aula, relacionamento...).

DURANTE A LEITURA:
CHECAGEM DAS HIPÓTESES.
5 – Leitura em voz alta feita pelo professor.
6 – Leitura em dupla – aluno com mais e com menos dificuldade.
7 – Verificar vocabulário e fazer busca no dicionário.
8 – Qual foi o sentido da palavra pausa no texto? O sentido da pausa no texto se confirma com as hipóteses mencionadas anteriormente? O que você entendeu do texto? Em que (quais) momento (s) do texto encontramos uma pausa?
9 – Quais pistas encontradas no texto levam a imaginar como o personagem irá agir?

DEPOIS DA LEITURA:
APRECIAÇÃO E RÉPLICA.
Sistematização das impressões dos alunos sobre o texto lido registradas na lousa pelo professor.

BIBLIOGRAFIA:
ROJO, Roxane. Letramento e capacidades para a cidadania. São Paulo: CENP, 2004. Texto apresentado em Congresso realizado em maio de 2004.
MARINHO, América A.C. e SILVA, Zoraide I.F. Trabalho diversificado (Adaptado)
 SCLIAR, Moacyr. Pausa. Disponível em: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070504161711AAZxr0 Acessado em 26/04/2013



CONTO
 Pausa - Moacyr Scliar



Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,bocejando:

— Vais sair de novo, Samuel?

Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.

— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz.

— Temos muito trabalho no escritório — disse o marido, secamente

Ela olhou os sanduíches:

— Por que não vens almoçar?

— Já te disse; muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.

A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga. Samuel pegou o chapéu:

— Volto de noite.

As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas. Estacionou o carro numa travessa quieta. Como pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo.

Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:

- Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...

- Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel.

- Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu a chave.

Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:

- Aqui, meu bem! - uma gritou, e riu; um cacarejo curto.

Ofegante Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.

Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata.
Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho
, deitou-se e fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.

Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.

Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa. Perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; índio acabara de trespassá-lo com a lança Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente: ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.

- Já vai, seu Isidoro?

- Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.

- Até domingo que vem seu Isidoro - disse o gerente.

- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.

- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo.

Samuel saiu.

Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.

ROSIMEIRE DAMASCENO










domingo, 16 de junho de 2013

Possível interpretação da música “Já sei namorar”, dos Tribalistas

Podemos interpretar a letra da música da seguinte maneira:

1. Trata-se dos pensamentos e expectativas do adolescente sobre as relações afetivas e do desejo de liberdade e responsabilidade por si próprio.

2. “Já sei namorar
     Já sei beijar de língua
    Agora só me resta sonhar”

Sabe quando a mãe, o pai, ou qualquer outra pessoa diz alguma coisa a um adolescente e ele responde “já sei!”? Pois é! Mas ele não sabe de fato. O que ele quer é provar que não é mais criança, já sabe muitas coisas e é capaz de ter responsabilidade por seus próprios atos. Ele já sabe muitas coisas, mas ainda não tem ideais. Falta sonhar, ou, pensar realmente em suas ações. Já sabe aonde ir, onde ficar, mas ainda não pode sair.

3. “Já sei chutar a bola
    Agora só me falta ganhar
    Não tenho juiz
    Se você quer a vida em jogo
    Eu quero é ser feliz”

A música aproveita o fato de o Brasil ser conhecido mundialmente como “o país do futebol”, para construir uma alegoria entre esse esporte e o tipo de relacionamento do adolescente. Ele já sabe jogar, mas não tem juiz; já sabe namorar, mas não quer nenhum compromisso. Ele relaciona felicidade com falta de compromisso, o famoso ato de “ficar” com alguém, ou várias pessoas. A mesma ideia é constatada no trecho:

“Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo
E todo mundo é meu também”

4. “Não tenho paciência pra televisão
     Eu não sou audiência para a solidão”

Nesse trecho, observamos uma crítica à mídia e/ou à alienação dos jovens em relação à tecnologia, que passam horas perdendo seu tempo em frente à TV computador, videogame. E que isso é uma maneira de permanecer solitário. Hoje, com o aumento da utilização de redes sociais, o relacionamento passou a ser virtual, muitas vezes, até, superficial, mantendo as pessoas em casa, despreparadas para lidar com relacionamentos no mundo real.

5. O final da música mostra a falta de compreensão dos próprios sentimentos do adolescente. Ele está rodeado de emoções desconhecidas e informações imprecisas. Tudo é novo, tudo é intenso. “Tô te querendo como se quer”, ou seja, como se espera querer alguém. Um sentimento intenso, mas impreciso.

Situação de aprendizagem: "Meu primeiro beijo" – Antonio Barreto

Público alvo: 9° ano

Objetivos:

  • despertar a sensibilidade para o texto literário;
  • desenvolver a habilidade de construir inferências, interpretar  um texto oralmente e relacionar realidade e literatura.

Duração: 2 aulas

Observação: esta é uma Situação de Aprendizagem iniciada no curso presencial “Melhor Gestão, Melhor Ensino”, visando o desenvolvimento das competências de leitura. Obviamente, cabem outras propostas, incluindo o desenvolvimento das competências de escrita, também.

 Atividade 1
 - Assistir ao videoclipe da música "Já sei namorar", do grupo "Tribalistas": 
http://www.youtube.com/watch?v=smwj7ISnwXM

Já sei namorar – Tribalistas

Já sei namorar
Já sei beijar de língua
Agora só me resta sonhar
Já sei onde ir
Já sei onde ficar
Agora só me falta sair

Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para a solidão

Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo
E todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo
E todo mundo é meu também

Já sei namorar
Já sei chutar a bola
Agora só me falta ganhar
Não tenho juiz
Se você quer a vida em jogo
Eu quero é ser feliz

Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para a solidão

Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo
E todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo
E todo mundo é meu também

Tô te querendo
Como ninguém
Tô te querendo
Como Deus quiser
Tô te querendo
Como eu te quero
Tô te querendo
Como se quer

Atividade 2 
- Discutir com os alunos sobre a música “Já sei namorar”. Eles gostaram? Já a conheciam? O que entenderam da letra?
- Falar da expectativa do adolescente sobre o relacionamento. O que eles pensam? Como eles agem? Quais são as expectativas deles? O objetivo dessa discussão é fazer uma ponte com o texto “Meu primeiro beijo”, de Antonio Barreto, que será lido mais adiante.

 Atividade 3
- Revelar, agora, apenas o título do texto e o nome do autor.
- Quais são as expectativas dos alunos? O que eles esperam encontrar no texto? O que vai acontecer? Do que trata o texto?
- Falar brevemente de Antonio Barreto.

Antonio Barreto (Antonio de Pádua Barreto Carvalho) nasceu em Passos (MG) em 13 de junho de 1954. Reside em Belo Horizonte desde 1973. Morou também em algumas cidades do Oriente Médio, onde trabalhou como projetista de Engenharia Civil, na construção de estradas, pontes e ferrovias. Tem vários prêmios nacionais e internacionais de literatura, para obras inéditas e publicadas, nos gêneros: poesia, conto, romance e literatura infanto-juvenil.


Disponível: http://palavrarte.com/equipe/equipe_antbarreto.php. Acesso em 16/06/13.

Atividade 4
- Formar duplas, observando se os alunos com mais dificuldade em aprender estão com os que têm mais facilidade.
- Pedir que eles leiam o texto em silêncio, marcando palavras e expressões desconhecidas.

Atividade 5
- Ler o texto em voz alta para os alunos, se possível, dramatizando-o.

Meu Primeiro Beijo
Antonio Barreto

É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:
" Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher...E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânicas; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.
Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por várias semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram... e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!

BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.


Atividade 6
- Perguntar aos alunos o que acharam do texto. Eles já o conheciam? Gostaram? Não gostaram? Por quê? Em algum momento se identificaram com algum personagem?
- Fazer a verificação das hipóteses de leitura levantadas na Atividade 3. Elas foram confirmadas? Aconteceu o que se esperava?
- Verificar com os alunos o sentido dos termos marcados por eles na Atividade 4. Observar se eles marcaram as seguintes expressões e comentar: “o Cultura Inútil”, “estávamos virgens nesse assunto”, “o Culta”, “você é a glicose do meu metabolismo”, “Paracelso”, “salivando seus perdigotos”, “o bactéria falante”, “o abismo do primeiro beijo”.

Atividade 7
- Construir com os alunos a sequência dos fatos da história, enumerando-as na lousa (uma frase por parágrafo, por exemplo). Essa atividade tem como objetivo despertar no aluno a habilidade de resumir e recontar o texto, da sua maneira.

Atividade 8
- Discutir com os alunos o desfecho da história. O que aconteceu? Por que o autor escreveu desse jeito? Qual seria sua intenção?

 Atividade 9
 - Discutir as seguintes questões:
  1.  No texto, a experiência do primeiro beijo se dá a partir do ponto de vista feminino ou masculino?
  2.  De quem foi a iniciativa do beijo?
  3. Nos dias de hoje, de quem costuma ser a iniciativa?
  4. Homens e mulheres são vistos do mesmo modo ao tomarem a iniciativa do primeiro beijo? Por quê?
  5. Existe algum preconceito em relação às mulheres que tomam a iniciativa em um relacionamento? Por quê?
  6.  Na opinião dos alunos, de quem deve ser a iniciativa do primeiro beijo?

 Atividade 10
- Propor aos alunos a leitura do texto “O primeiro beijo”, de Clarice Lispector, disponível no site: http://pensador.uol.com.br/clarice_lispector_o_primeiro_beijo/
- Propor a leitura do livro “Balada do primeiro amor”, de Antonio Barreto.

Bibliografia:

ROJO, Roxane. Letramento e capacidades para a cidadania. São Paulo: CENP, 2004. Texto apresentado em Congresso realizado em maio de 2004.

DOLZ, Joaquim; SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros e progressão em expressão oral e escrita - elementos para reflexões sobre uma experiência suíça (Francófona). Caderno do curso “Melhor Gestão, Melhor Ensino”. p. 41-69.



Não deixe de ler:

- Um texto divertidíssimo sobre os perdigotos de Igor de Oliveira Costa: http://www.oopinativo.com.br/2011/09/perdigotos.html